O internacionalmente reconhecido grupo de breakdance Flying Steps, de Berlim, revolucionou o street dance atlético. O colunista da DW, Gero Schliess, cativou-se pelo senso de liberdade que o grupo transmite.

Texto original por Gero Schliess para a DW.

Esqueça-se de andar sobre as águas. Todos podem ler com detalhes, na Bíblia, o que Jesus fez no mar da Galileia. Voar sobre o chão, na velocidade da luz, com elegantes movimentos – essa é uma dimensão totalmente diferente. Os ‘Flying Steps’ aperfeiçoaram isso através do breakdance.

Assistindo aos jovens dançarinos girando na pista de dança, leves como penas, senti um radiante senso de liberdade, algo que se torna cada vez mais escasso em Berlim. Os dançarinos não são apenas libertos das leis da gravidade, mas também de convenções e limitações.

Sem subsídios estatais

Os clubes, galerias de arte e cinemas de Berlim, é claro, retém suas liberdades artísticas. Mas acima de tudo, eles optam pela possibilidade de receber subsídios estatais e outros privilégios. Rotinas monótonas e apáticas são o preço que os locais pagam.

O grupo de breakdance Flying Steps, por outro lado, se financiam por conta própria, abrindo mão de compromissos artísticos e complacência cansativa.

Adamant

Adamant diz que é demais dançar com os Flying Steps

No início do grupo, há mais ou menos 25 anos, tudo que foi preciso foi um pedaço de papelão, uma caixa de som e alguns rapazes da vizinhança para começar a ‘batalha’. Só isso já era um ‘céu na terra’ para Vartan Bassil, fundador do Flying Steps, e seus amigos.

Hoje, o grupo de breakdance, campeão mundial múltiplas vezes – é um nome grande na indústria do entretenimento. São 35 dançarinos, uma academia e dois grupos de show internacional – Red Bull Flying Bach e Flying Illusion.

É difícil de acreditar, mas o espírito de liberdade do pátio de dança de Berlim nunca desaparece. É notável em todos os meus encontros com os Flying Steps, bem como o jovem Adamant Nithiprasoet, de apenas 13 anos, que se enche de alegria ao me falar sobre como ele treina três vezes por semana com o grupo de breakdance. Disputar entre si e testar novos passos – é tudo tão legal, diz ele.

O breakdance liberta

Mikel

Mesmo depois de anos, Mikel ainda admira o espírito do grupo

Adamant fica feliz em ser fotografado fazendo uma pose para a DW. Logo depois, eu testemunhei o garoto desafiando um dançarino mais velho durante o treino. “Eles realmente levam o duelo a sério”, diz Michael Rosemann, também conhecido como Mikel, membro do grupo quase desde o início, e responsável por treinar dançarinos na academia. “Uau”, ele exclama, quando o garoto mais velho lança um passo especial.

Aí está novamente: o senso de liberdade através da dança. Com a exceção de alguns passos básicos, todo dançarino é livre para desenvolver seu próprio estilo. “Nós sempre gostamos disso, e é essa a razão pela qual o breakdance se desenvolveu tanto nos últimos 25 anos”, diz Mikel, que radia energia como se fosse um adolescente.

Os Flying Steps acrescentaram elementos de balé, ginástica, free dance e até música clássica aos aspectos acrobáticos do hip hop.

Eu daria a esse tipo de breakdance o nome de ‘Berlim Freestyle’.

Gero Schliess

Colunista da DW, Gero Schliess

Transformando Berlim

Os dançarinos possuem planos ambiciosos para o futuro.

Durante quatro semanas em maio de 2018, o grupo de breakdance irá se apresentar no Theater am Potsdamer Platz, em Berlim.

Eles também virão ao Brasil, apresentando-se no Festival Música em Trancoso.

Os Flying Steps também possuem um sonho: eles adorariam visitar Las Vegas, nos Estados Unidos, o país onde o breakdance nasceu, para provar quem é que são os donos do show: os alemães, é claro!

A academia do grupo, em Berlim, atualmente leciona por volta de 1200 estudantes, enquanto continua a se expandir e construir novos salões para treino. Os Flying Steps rapidamente desistem de pedir ajuda financeira para o governo. Eles preferem ser independentes, e dançar às suas próprias músicas em vez de unirem-se ao ritmo dos burocratas de Berlim.

flying bach

Os Flying Steps trarão a apresentação Flying Bach para o Brasil em 2018.

Uma olhada rápida através das vidraças dos salões é suficiente para perceber como os jovens dançarinos apoiam uns aos outros, com linguagens corporais abertas e livres. Recentemente, um pai agradeceu por “permitir que seu filho pudesse crescer dessa maneira”, disse Mikel, acrescentando: o pai não se referia à saúde física, mas sim às novas atitudes de vida descobertas pelo garoto – mudanças positivas que tocaram a família toda.

Eu me pergunto: não seria ótimo se isso funcionasse com a cidade de Berlim? Usar o breakdance para libertar jovens frustrados em Berlim com o cenário da arte, cultura e política. Qualquer um pode aprender a dançar, diz Mikel: “De crianças de três anos a até mesmo idosos”.

Ainda há esperança em Berlim.

 

Texto original:

Berlin 24/7: Breakdance as a symbol of freedom

Festival Música em Trancoso 2018

Breakdance Flying Steps estará no Música em Trancoso 2018
Dia 05 de março de 2018. Guarde esta data.

Translate »